<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972</id><updated>2012-01-14T19:47:06.848-08:00</updated><title type='text'>O Zero e o Infinito</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>20</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-5468190193999738691</id><published>2011-05-21T19:45:00.000-07:00</published><updated>2011-05-21T20:39:13.476-07:00</updated><title type='text'>A Educação está REPROVADA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://0.gvt0.com/vi/aC3u_hxa4JQ/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/aC3u_hxa4JQ&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/aC3u_hxa4JQ&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em audiência pública realizada no Rio Grande do Norte, a professora Amanda Gurgel expôs com coerência, coragem e absoluta propriedade todo o sofrimento e todas as privações que têm acometido os professores, especialmente da rede pública de ensino, em todo o Brasil. A campanha por melhores condições de trabalho para os profissionais da educação já está em andamento e tem como slogan a frase "Com a saúde dos professores em recuperação, a educação está REPROVADA". Em Pernambuco, o governo Eduardo Campos não tem se sobressaído,&amp;nbsp;pois não&amp;nbsp;apresenta qualquer diferencial em relação aos outros Estados da Federação. O salário dos professores ainda é um dos piores do país e &amp;nbsp;o comprometimento da Secretaria de Educação com o desenvolvimento do ensino e o efetivo atendimento às necessidades do professor&amp;nbsp;é vertiginosamente simplório e insuficiente. Quantos profissionais, como bem destacou a professora Amanda Gurgel, estão há mais de 20 anos esperando que a Educação seja tratada como prioridade no país? Os representantes do governo pedem paciência e flexibilidade, mas o que desejam, na verdade, é acomodação e covardia. E isso os professores (e toda a sociedade) não podem oferecer!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-5468190193999738691?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/5468190193999738691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=5468190193999738691' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/5468190193999738691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/5468190193999738691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2011/05/educacao-esta-reprovada.html' title='A Educação está REPROVADA'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-208099988911213225</id><published>2011-05-19T17:33:00.000-07:00</published><updated>2011-05-21T05:26:10.722-07:00</updated><title type='text'>Ensaio sobre a cegueira</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-lASQHiCPs7c/TdW2RiAwMFI/AAAAAAAAAcQ/2-Vna3xsUYc/s1600/3723-jose-saramago.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="310" j8="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-lASQHiCPs7c/TdW2RiAwMFI/AAAAAAAAAcQ/2-Vna3xsUYc/s320/3723-jose-saramago.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Só em um mundo de cegos as coisas serão o que verdadeiramente são."&amp;nbsp;Com base&amp;nbsp;nessa sentença, José Saramago escreveria uma de suas obras mais geniais e inquietantes: Ensaio sobre a Cegueira. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Utilizando palavras, situações e ambientes aterradores, o escritor conseguiu sintetizar em pouco mais de 300 páginas toda a complexidade e a decadência do espírito humano. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao ser acometido por uma espécie de cegueira branca, aparentemente contagiosa, um grupo composto por pessoas absolutamente estranhas entre si é obrigado pelo Governo a permanecer em um hospício abandonado, sob a vigilância constante do exército, até que a cura para o mal repentino seja descoberta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As ordens emitidas pelos soldados armados, através de um auto falante,&amp;nbsp;são muito claras: nenhuma ajuda humanitária seria enviada ao interior do prédio; em caso de conflito interno, o exército não interviria; ninguém poderia abandonar o local, sob pena de ser sumariamente assassinado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pequenos conflitos por alimentos, ordem e liderança marcam o início da narrativa e são gradativamente acentuados pela chegada de numerosos portadores da "cegueira branca", que travam uma verdadeira luta interna pelo poder. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saramago registrou magistralmente o que o tormento, as necessidades, a opressão, a impotência, o medo e, principalmente, a ausência de observadores podem desencadear no espírito humano. Somos aquilo que fazemos quando ninguém nos observa, quando não podemos ser descobertos e os sentidos não alcançam as nossas&amp;nbsp;fragilidades, os nossos instintos e as nossas mais cruéis perspectivas.&amp;nbsp;Ninguém é bom, como o próprio Saramago diria ao justificar sua obra, e é preciso coragem para admitir isso.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entretanto, eu vislumbro na obra de Saramago muitos exemplos de como o espírito humano pode ser íntegro, generoso e fraterno, pois o próprio autor descreve situações em que a miséria e a solidão motivam suas personagens a superarem suas insuficiências e egoísmos. E de como a essência de cada indivíduo ultrapassa o liame superficial das convenções. É o caso da prostituta ("a moça dos óculos escuros"), que, ao retornar para casa depois do longo período de confinamento, não encontra os pais:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A rapariga dos oculos escuros – “Mãezinha, paizinho…Não está ninguém, disse a rapariga dos óculos escuros, e desatou-se a chorar encostada à porta…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não tivéssemos nós aprendido o suficiente do complicado que é o espírito humano e estranharíamos que queira tanto a seus pais, ao ponto destas demonstrações de dor, uma rapariga de costumes tão livres…” &lt;br /&gt;"Esta sincera preocupação mostra como são afinal infundados os preconceitos dos que negam a possibilidade de existência de sentimentos fortes, incluindo o sentimento filial, nos casos, infelizmente abundantes, de comportamentos irregulares, mormente no plano da moralidade pública." (José Saramago &lt;em&gt;in &lt;/em&gt;Ensaio sobre a Cegueira).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor também nos convonca à "responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam". Fala-nos, portanto, sobre ética, comportamento e integridade; sobre tudo o que devemos preservar e ponderar, mesmo sabendo que os olhos alheios não nos alcançam e não nos sentenciam. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-208099988911213225?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/208099988911213225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=208099988911213225' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/208099988911213225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/208099988911213225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2011/05/ensaio-sobre-cegueira.html' title='Ensaio sobre a cegueira'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-lASQHiCPs7c/TdW2RiAwMFI/AAAAAAAAAcQ/2-Vna3xsUYc/s72-c/3723-jose-saramago.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-2335990037099349770</id><published>2011-03-20T18:10:00.000-07:00</published><updated>2011-03-20T19:03:53.923-07:00</updated><title type='text'>Sonata ao Luar e Dueto dos Gatos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #eeeeee;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Algumas pessoas dedicam suas vidas e toda sua sensibilidade à música. É assim que nos encantam: sentem e nos fazem sentir a poesia que identificam nas situações mais belas e simples. Ao ouvirmos o intérprete, vivenciamos todos os significados de suas canções, que podem ou não envolver os nossos sentimentos. Quando esse momento mágico acontece, é como se almas antes estranhas se fundissem sob a linguagem universal da música, que não precisa sequer fazer sentido ou transmitir mensagens concretas para nos alcançar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Foi assim que me senti em relação ao “Dueto dos Gatos”, obra atribuída ao compositor italiano Gioacchino Rossini. A música é algo tão essencial, tão admirável e tão absolutamente inexplicável que só mesmo as nossas lágrimas, ou o nosso silêncio, são capazes de traduzir o que uma infinidade de palavras não conseguiriam explicar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Já fizeram parte desse dueto intérpretes como Montserrat Caballé e Concha Velasco, mas a pureza das vozes, do sorriso e do encanto desses dois meninos não conseguiu superação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aliada ao vídeo, deixo aqui essa breve história, que descreve a criação da Sonata ao Luar (Moonlight Sonata) de Beethoven, muito mais adequada do que as minhas palavras para ilustrar essa leveza da inspiração humana, que nos brinda com obras geniais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;"Beethoven vivia um desses dias tristes, sem brilho e sem luz. Estava muito abatido pelo falecimento de um príncipe da Alemanha, que era como um pai para ele... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;O jovem compositor sofria de grande carência afectiva. O pai era um alcoólatra contumaz e o agredia fisicamente. Faleceu na rua, por causa do alcoolismo... Sua mãe morreu muito jovem. Seus irmãos biológicos nunca o ajudaram em nada, e, some-se a tudo isto, o fato de sua doença agravar-se. Sintomas de surdez, começavam a perturbá-lo, ao ponto de deixá-lo nervoso e irritado... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Beethoven somente podia escutar usando uma espécie de trombone acústico no ouvido. Ele carregava sempre consigo uma tábua ou um caderno, para que as pessoas escrevessem suas idéias e pudessem se comunicar, mas elas não tinham paciência para isto, nem para ler seus lábios... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Notando que ninguém o entendia, nem o queriam ajudar, Bethoven se retraiu e se isolou. Por isso conquistou a fama de misantropo. Foi por todas essas razões, que o compositor caiu em profunda depressão. Chegou a redigir um testamento, dizendo que iria se suicidar... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Mas como nenhum filho de Deus está esquecido, vem a ajuda espiritual, através de uma moça cega, que morava na mesma pensão pobre, para onde Beethoven havia se mudado e lhe fala quase gritando: "Eu daria tudo para enxergar uma Noite de Luar" Ao ouvi-la, Beethoven se emociona até as lágrimas. Afinal, ele podia ver! Ele podia escrever sua arte nas pautas... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;A vontade de viver volta-lhe renovada e ele compõe uma das músicas mais belas da humanidade: "Sonata ao Luar" No seu tema, a melodia imita os passos vagarosos de algumas pessoas, possivelmente, os dele e os dos outros, que levavam o caixão mortuário do príncipe, seu protector... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Olhando para o céu prateado de luar, e lembrando da moça cega, como a perguntar o porquê da morte daquele mecenas tão querido, ele se deixa mergulhar num momento de profunda meditação transcendental...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Alguns estudiosos de música dizem que as três notas que se repetem, insistentemente, no tema principal do 1º movimento da Sonata, são as três sílabas da palavra "why"? ou outra palavra sinônima, em alemão... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Anos depois de ter superado o sofrimento, viria o incomparável Hino à Alegria, da 9ª sinfonia, que coroa a missão desse notável compositor, já totalmente surdo. Hino à Alegria expressa a sua gratidão à vida e a Deus, por não haver se suicidado... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Tudo graças àquela moça cega, que lhe inspirou o desejo de traduzir, em notas musicais, uma noite de luar... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Usando sua sensibilidade, Beethoven retratou, através da melodia, a beleza de uma noite banhada pelas claridades da lua, para alguém que não podia ver com os olhos físicos. "&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-264f51efa3c15d24" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v18.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D264f51efa3c15d24%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330360012%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D170F5F6AB34D804800A41B94843F459618B06D44.5F0134B8CE5C786644EAAB90FCF58A3394103CBD%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D264f51efa3c15d24%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DusaFINzfSarfySdIa9OFgcAKU3M&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v18.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D264f51efa3c15d24%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330360012%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D170F5F6AB34D804800A41B94843F459618B06D44.5F0134B8CE5C786644EAAB90FCF58A3394103CBD%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D264f51efa3c15d24%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DusaFINzfSarfySdIa9OFgcAKU3M&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-2335990037099349770?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/2335990037099349770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=2335990037099349770' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/2335990037099349770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/2335990037099349770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2011/03/sonata-ao-luar-e-dueto-dos-gatos.html' title='Sonata ao Luar e Dueto dos Gatos'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-3113630540126306623</id><published>2010-10-12T09:05:00.000-07:00</published><updated>2011-03-20T19:02:20.241-07:00</updated><title type='text'>Meu País</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: #444444; color: #eeeeee;"&gt;Em razão das dificuldades cotidianas, não tenho encontrado muito tempo para escrever. No entanto, improvisei um vídeo ilustrativo, com uma canção que já conhecia e que redescobri por acaso. Ainda acredito que esse país pode crescer e, mesmo achando que nós não temos opções muito gratas no dia 31 de outubro, recuso-me a retroceder 500 anos e atirar ao vazio as conquistas sociais que o Brasil tem vivenciado. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-b9ee6e88860d983d" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v19.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3Db9ee6e88860d983d%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330360012%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D5F35EDF4CFD037B66B4EDD5842A91A59FCAF0631.7DAE58ABB967D9CBD865AA1C307057855290CE0E%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Db9ee6e88860d983d%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DShBTEZGUeeKTqPlXz0EhCoUTXwM&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v19.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3Db9ee6e88860d983d%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330360012%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D5F35EDF4CFD037B66B4EDD5842A91A59FCAF0631.7DAE58ABB967D9CBD865AA1C307057855290CE0E%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Db9ee6e88860d983d%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DShBTEZGUeeKTqPlXz0EhCoUTXwM&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-3113630540126306623?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/3113630540126306623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=3113630540126306623' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/3113630540126306623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/3113630540126306623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2010/10/meu-pais.html' title='Meu País'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-349570987371625069</id><published>2009-11-21T19:28:00.000-08:00</published><updated>2011-03-20T19:03:07.963-07:00</updated><title type='text'>Dom Ariano</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SwjFcd5zlkI/AAAAAAAAALM/wLHeqhfJ7ZE/s1600/ArianoSuassuna16061927+em+conferencia.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406788445512373826" src="http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SwjFcd5zlkI/AAAAAAAAALM/wLHeqhfJ7ZE/s320/ArianoSuassuna16061927+em+conferencia.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 205px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: trebuchet ms;"&gt;Ariano Suassuna é aquele que domina a arte de entrelaçar uma gargalhada estridente à melancolia delicada. Somos contemporâneos de um dos maiores escritores brasileiros, universal em sua luta pela valorização da cultura popular.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Quixotesco porque se insurge, incansavelmente, contra a massificação cultural e a banalização da arte. Por vezes, parece erguer suas bandeiras contra intervenções inevitáveis, provocadas pela ingerência frenética de valores globalizados. Ufanista para alguns, um gênio para outros tantos, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;a verdade é que Ariano Suassuna consegue alcançar uma multiplicidade formidável de gerações, defendendo a preservação da cultura popular ante a importação de gêneros literários e musicais que tolhem e pulverizam as possibilidades de desenvolvimento de uma identidade nacional.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white; font-family: trebuchet ms;"&gt;Em prosa, teatro e poesia, Ariano teceu linhas que contêm em sua essência o que há de mais puro e singelo na cultura regional, produzindo obras em pé de igualdade com Molière ou Shakespeare. Exemplos como "O Auto da Compadecida", "Uma mulher vestida de sol" e o ponto máximo sua criação, "O Romance da Pedra do Reino", unem literatura popular e erudita de forma magistral, provando que são partes distintas de uma mesma unidade, complementares em sua riqueza.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white; font-family: trebuchet ms;"&gt;Um homem que conseguiu desvendar com profundidade o Brasil, sem julgar necessário conhecê-lo através de pontos de vista externos, improvisados... Torná-lo imortal ainda em vida significa reconhecer que as suas bandeiras devem ser erguidas por todo o povo brasileiro, consciente de que o que vem de fora deve complementar, não substituir; enriquecer, não alienar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-349570987371625069?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/349570987371625069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=349570987371625069' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/349570987371625069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/349570987371625069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2009/11/dom-quixote-brasileiro.html' title='Dom Ariano'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SwjFcd5zlkI/AAAAAAAAALM/wLHeqhfJ7ZE/s72-c/ArianoSuassuna16061927+em+conferencia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-5190669483149316641</id><published>2009-11-15T15:35:00.000-08:00</published><updated>2011-03-20T19:04:34.237-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SwCbW6uMXZI/AAAAAAAAALE/HcAbKMUbiE4/s1600-h/102_1551.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SwCXAqSxJII/AAAAAAAAAK0/7s4iIz79rvE/s1600-h/1383b.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404485590453396610" src="http://2.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SwCXAqSxJII/AAAAAAAAAK0/7s4iIz79rvE/s320/1383b.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 240px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: georgia;"&gt;Não existem "meninos de rua", existem crianças em situação de rua. Se, levianamente, afirmamos que são "de rua", coadunamos com a ideia de que elas pertencem e sempre pertencerão ao esquecimento. Corroboramos, implicitamente, com a imagem de uma criança em situação natural, em situação aceitável, em situação inevitável de rua.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Não existem "meninos de rua", existem crianças em situação de rua. Se, levianamente, afirmamos que são "de rua", admitimos que o seu coração, o seu sorriso e a sua essência pertencem e sempre pertencerão ao abandono. Aceitamos que as arbitrariedades cometidas contra a infância estão muito além do nosso âmbito de responsabilidade, de comprometimento, de cuidado. Alimentamos a ilusão de que o seu sofrimento não nos alcança e, definitivamente, não nos sentencia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-f94db5fe2c5ce62b" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v22.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3Df94db5fe2c5ce62b%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330360012%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D79C8FC7B45EF058A39E21A48E3574EB72460A69D.384B9522B1BD8E83C95694D638BBF603524C38F7%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Df94db5fe2c5ce62b%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DLUxyfvyHkoPUueg28Z2dr70uX5s&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v22.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3Df94db5fe2c5ce62b%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330360012%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D79C8FC7B45EF058A39E21A48E3574EB72460A69D.384B9522B1BD8E83C95694D638BBF603524C38F7%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Df94db5fe2c5ce62b%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DLUxyfvyHkoPUueg28Z2dr70uX5s&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-5190669483149316641?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/5190669483149316641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=5190669483149316641' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/5190669483149316641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/5190669483149316641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2009/11/nao-existem-meninos-de-rua-existem.html' title=''/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SwCXAqSxJII/AAAAAAAAAK0/7s4iIz79rvE/s72-c/1383b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-3344371846532941619</id><published>2009-10-30T17:46:00.000-07:00</published><updated>2011-03-20T19:05:19.269-07:00</updated><title type='text'>Consumo, logo, existo.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SuvG6NyUznI/AAAAAAAAAKc/qQmiXettWQk/s1600-h/propaganda_nike_gandhi.gif"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398627281769123442" src="http://2.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SuvG6NyUznI/AAAAAAAAAKc/qQmiXettWQk/s320/propaganda_nike_gandhi.gif" style="cursor: hand; display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 247px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: arial;"&gt;Pensando sobre a liberdade, em sentido amplo, percebo que ela é realmente um sonho de difícil realização. Em primeiro lugar, porque ansiamos ser livres, mas não nos dispomos a libertar. Amarras são sempre atraentes, contanto que não nos cortem e que não nos machuquem. Além disso, a liberdade potencializa a responsabilidade e, se a alcançamos, assumimos integralmente os riscos que as nossas escolhas acarretam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: arial;"&gt;Eis a grande questão: nosso comportamento é livre ou condicionado? O consumo massificado de gêneros alimentícios Mc Donald's em favelas cariocas pode ser considerado um ato de liberdade? O envolvimento de crianças e adolescentes com o tráfico de drogas consubstancia, ainda que de forma mínima, exemplo de liberdade de escolha? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: arial;"&gt;Sartre estava certo ao defender que o homem é um ser condenado à liberdade. No entanto, as Instituições estão prontas para absolvê-lo a qualquer tempo, oferecendo como salvo conduto o fanatismo religioso (que não deve ser confundido com a fé), o consumismo ou o pragmatismo exacerbado, princípios basilares de sociedades em decadência. Trata-se de um raciocínio muito simples, originalmente desenvolvido por Parmênides e perfeitamente aplicável na contemporaneidade: SER significa TER; NÃO SER significa NÃO TER. Logo, se eu não tenho o mais novo modelo de automóvel ou celular em circulação no mercado, ou não adquiro as melhores roupas e utensílios, eu não sou. Para, finalmente, ser, posso optar entre três caminhos: 1) o da &lt;strong&gt;resignação&lt;/strong&gt;, dando graças a um ser superior pelo pouco que tenho e esperando as recompensas da eternidade; 2) o da &lt;strong&gt;violência&lt;/strong&gt;, retirando, coercitivamente, dos outros os elementos necessários para a minha afirmação como SER; 3) o do &lt;strong&gt;sonho&lt;/strong&gt;, esperando que, através de muito trabalho e esforço contínuo, seja possível adquirir tudo aquilo o que a propaganda oferece como meio de auto-afirmação. À primeira vista, a terceira opção pode parecer a mais sensata, e é até mesmo bastante comum (não é à toa que os cursos preparatórios para concursos públicos estão abarrotados). Entenda-se: essa não é uma crítica aos processos seletivos, nem às pessoas que desejam obter um padrão de vida mais confortável e satisfatório, mas tão somente à finalidade máxima de suas expectativas, que é o seu bem-estar individual e a sua estabilidade financeira, não o interesse da coletividade. A morosidade do serviço público e a ausência de ética na Administração são exemplos latentes dessa inversão de valores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: arial;"&gt;Nesse ponto, retomo o questionamento inicial: nosso comportamento é livre ou condicionado? Mesmo sem ter respostas para essa pergunta, aparentemente tão simples, eu chego à conclusão de que a liberdade de pensamento ainda é o ponto culminante de nossa expressão como indíviduos e como seres em constante atividade reflexiva. Dentre os três caminhos mencionados acima, que não são, absolutamente, taxativos, apenas a mente humana, em sua complexidade, pode defini-los, moldá-los e, definitivamente, reinventá-los.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-3344371846532941619?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/3344371846532941619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=3344371846532941619' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/3344371846532941619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/3344371846532941619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2009/10/pensando-sobre-liberdade-em-sentido.html' title='Consumo, logo, existo.'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SuvG6NyUznI/AAAAAAAAAKc/qQmiXettWQk/s72-c/propaganda_nike_gandhi.gif' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-5933769251047127495</id><published>2009-03-05T17:16:00.000-08:00</published><updated>2011-03-20T19:06:01.888-07:00</updated><title type='text'>Lugar de criança é na Infância...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SbCKvF6_qFI/AAAAAAAAAH8/WiMr2LnjAas/s1600-h/456px-Rembrandt_Harmensz._van_Rijn_079"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309896502317918290" src="http://2.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SbCKvF6_qFI/AAAAAAAAAH8/WiMr2LnjAas/s320/456px-Rembrandt_Harmensz._van_Rijn_079" style="cursor: hand; display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 244px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: arial;"&gt;Nas últimas semanas, um fato que ultrapassou os limites do entendimento, da covardia e da desumanidade provocou reações de repúdio, além de um sentimento incontido de revolta e vergonha, em grande parte da população pernambucana: a gravidez de uma menina de 9 anos, que teria sido estuprada pelo padrasto. Não há outra forma de mencionar essa quimera, não há qualquer eufemismo ou disfarce a ser usado para tratar de um assunto tão infame quanto controverso. Para isso, é preciso que reconheçamos a decadência dos nossos valores e das nossas instituições (dentre elas, a mais preciosa: a família). É necessário que esqueçamos pudores e afirmemos: a violência doméstica é uma constante e o Estado, arraigado pela corrupção, não tem despendido força suficiente para combatê-la. É imprescindível percebermos (ou, finalmente, entendermos) que a prostituição infantil não é história em quadrinhos: ela já tolheu, já maltratou, já humilhou e já pulverizou a inocência, pois a mácula impune de uma única criança constitue crime, ouso dizer, contra toda a humanidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: arial;"&gt;Entretanto, o foco de uma discussão que poderia ser séria e responsável foi transferido, de forma quixotesca, para o âmbito da religião e do preconceito. O arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, decidiu eleger a equipe médica selecionada para interromper a gravidez da menina (que não tem estrutura física para suportar dois bebês, já que espera gêmeos, nem maturidade para ser mãe) à categoria de "moinhos de vento", ameaçando médicos e enfermeiros de excomunhão e empregando toda a sua influência para garantir o fiel cumprimento do 6º dos Dez Mandamentos: "Não Matarás". Alguém esqueceu de ensinar ao arcebispo um dos mandamentos mais importantes da lei da vida: "Lugar de criança é na Infância".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: arial;"&gt;A comunidade deve ser instruída a relatar às autoridades policiais os casos de abuso e de exploração infantil; os professores, diretamente envolvidos com as vivências e o cotidiano da criança e do adolescente, devem permanecer atentos ao comportamento desenvolvido pelo aluno durante o período de atividades escolares; o Estado deve investir em políticas públicas de educação, instrução e combate à violência doméstica, reprimindo a conduta delitiva, oferecendo suporte à família, e, através de sua força coercitiva, coibindo a grande indústria de exploração sexual que agride a infância e fere os princípios do Estado Democrático de Direito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: arial;"&gt;Fato incontroverso é que a exploração sexual infanto-juvenil efetivamente existe, estendendo-se desde as práticas abusivas cometidas no interior do ambiente familiar até os absurdos expostos em praças públicas, grandes avenidas e albergues mantidos por "cafetinas". Ponto de interrogação é a importância atribuída a essa realidade, que é negligenciada pelo Poder Público (que se omite), pela sociedade (que não reivindica), pela Igreja (que desvirtua a problemática), por mim (que, no quebra-cabeça do conformismo, sou peça fundamental).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-5933769251047127495?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/5933769251047127495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=5933769251047127495' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/5933769251047127495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/5933769251047127495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2009/03/lugar-de-crianca-e-na-inocencia.html' title='Lugar de criança é na Infância...'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SbCKvF6_qFI/AAAAAAAAAH8/WiMr2LnjAas/s72-c/456px-Rembrandt_Harmensz._van_Rijn_079' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-2090798934212557284</id><published>2009-02-22T08:41:00.000-08:00</published><updated>2011-03-20T19:09:36.344-07:00</updated><title type='text'>Escravos da Alegria</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SaGHEQextpI/AAAAAAAAAHc/E1z5uqTuEXU/s1600-h/escravo+2.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305670343232435858" src="http://2.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SaGHEQextpI/AAAAAAAAAHc/E1z5uqTuEXU/s320/escravo+2.jpg" style="cursor: hand; display: block; height: 317px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: arial;"&gt;Quem um dia afirmou que o carnaval não é festa dos anjos, mas orgia dos demônios, não conhece nada acerca da alegria, da liberdade e dos anseios do coração. Não é por acaso que milhões de pessoas se reúnem em torno de blocos e agremiações: querem compartilhar vida, sonhos, fantasias... Querem se ver livres das máscaras que sufocam, das angústias que atormentam, do comum desejo que se suprime.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: arial;"&gt;Desde quando o divino é uniforme? Quem criou essa idéia absurda de que Deus só pode ser alcançado através do sofrimento que redime, da dor que eleva e das lágrimas que purificam? Por que o império da escravização institucional e dogmática tem suplantado a espontaneidade?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: arial;"&gt;Essas restrições, no entanto, não se limitam às “festas profanas”. Poucas são as pessoas que têm a oportunidade de assumir a sua orientação sexual sem sofrer os estigmas do preconceito e da repulsa! Como reconhecer a si mesmo como um ser único, dotado de peculiaridades, desejos e sensações, se o mundo sentencia e pune quem atenta contra a “ordem natural das coisas”? É ultrajante que a sociedade não se incomode com os esquemas de traição, desonestidade e futilidade apresentados em reality shows, enquanto um beijo entre homossexuais, demonstração de amor, carinho e afeto, é motivo para polêmicas, escândalos e vedações infundadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: arial;"&gt;É vergonhoso que uma mulher não possa escolher, quando guarda dentro de si uma vida completamente inviável, marcada pelas impossibilidades e improbabilidades geradas pela “anencefalia”, se dá continuidade ou não ao período gestacional, já que sofrerá, durante nove meses, as dores físicas e emocionais ocasionadas pela frustração da perda antecipada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: arial;"&gt;Ainda mais indigesto é que, num Estado Democrático de Direito, a Igreja Católica possa ditar os rumos da evolução das pesquisas com células-tronco, da admissibilidade da eutanásia e até mesmo da utilização de anticoncepcionais e preservativos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: arial;"&gt;Na verdade, todos esses questionamentos vieram à tona quando eu recordei uma letra de Toquinho, “Escravo da Alegria”, uma das canções mais lindas que já ouvi. Imaginei o sentido poético para uma palavra tão forte e negativa: a escravidão. Escravos da alegria, nunca da religião, da dor, do sofrimento e da paixão. Manter íntima relação com a vida, sem esconder de nós mesmos e do mundo aquilo que nos move e que, no fundo, sempre desejamos: a felicidade, ainda que imperfeita.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Escravo da Alegria&lt;br /&gt;Toquinho&lt;br /&gt;Composição: Mutinho e Toquinho &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;E eu que andava nessa escuridão&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;De repente foi me acontecer&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Me roubou o sono e a solidão&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Me mostrou o que eu temia ver&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Sem pedir licença nem perdão&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Veio louca pra me enlouquecer&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Vou dormir querendo despertar&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Pra depois de novo conviver&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Com essa luz que veio me habitar&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Com esse fogo que me faz arder&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Me dá medo e vem me encorajar&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Fatalmente me fará sofrer&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Ando escravo da alegria&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;E hoje em dia, minha gente, isso não é normal&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Se o amor é fantasia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Eu me encontro ultimamente em pleno c&lt;/span&gt;arnaval&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-2090798934212557284?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/2090798934212557284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=2090798934212557284' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/2090798934212557284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/2090798934212557284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2009/02/escravos-da-alegria.html' title='Escravos da Alegria'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SaGHEQextpI/AAAAAAAAAHc/E1z5uqTuEXU/s72-c/escravo+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-8090739357302940130</id><published>2008-12-18T17:59:00.000-08:00</published><updated>2008-12-18T21:30:43.625-08:00</updated><title type='text'>Cinema Paradiso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SUsboLgzURI/AAAAAAAAAHE/ufygPpYj_1M/s1600-h/20070725154458Nuovo%20cinema%20paradiso.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281345365121126674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 224px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SUsboLgzURI/AAAAAAAAAHE/ufygPpYj_1M/s320/20070725154458Nuovo%2520cinema%2520paradiso.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Quando rememoramos alguns instantes ou períodos que marcaram as nossas vidas, tendemos a delinear com traços de poesia tudo aquilo que o coração transporta de forma mais leve e amena. O aroma suave de uma boa lembrança, o conforto da mesa posta para a ceia de natal, o quintal espaçoso em que desenhávamos as nossas fantasias; tudo tão alegre, tão límpido, tão bom...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Não me canso, portanto, de lembrar o quanto a música, o cinema, os livros e a arte em sua amplitude são indispensáveis à expressividade e à compreensão dos nossos sentimentos. A cultura sem definições, sem limites, sem parâmetros ou regras que façam distinções entre o que é necessariamente bom ou ruim. Os autos populares, os cordéis, os folhetos, os símbolos ou até mesmo algumas palavras rabiscadas na areia, tudo o que remete à essência do ser humano, que não prescinde de externar e imortalizar a forma como sente o mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Dirigido pelo italiano Giuseppe Tornatore, "Cinema Paradiso" é mais um filme que alcança a nossa sensibilidade. Trata-se de uma verdadeira declaração de amor à vida, feita através das lembranças de um cineasta (Salvatore di Vita - o Toto) que reconhece na infância, na terra natal e num grande amigo as bases do seu crescimento profissional e, principalmente, pessoal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Unidos pela paixão que nutrem pelo cinema e pelos seus clássicos, Alfredo e Toto (ainda criança) iniciam uma amizade transitoriamente marcada por pequenos conflitos, mas que se torna tão grandiosa quanto eterna. À medida que acompanhamos a afetividade contínua entre as personagens, desfrutamos de cenas lindíssimas e da percepção de que a sociedade evolui através da arte, sob aspectos positivos e negativos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Abaixo, uma das cenas mais emocionantes do filme, que nos brinda com a elegância do seu romantismo e com a composição mais-que-perfeita do maestro italiano Ennio Morricone.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-f21c27eb1483af0e" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v14.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3Df21c27eb1483af0e%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330360012%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D1345703742EA417E9DF9B9D3E2270A7FAA0BE650.3A77F12E44BE500198058D6FBF2611F52428408A%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Df21c27eb1483af0e%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DRoEFYTx9sl5YyuIsbkY0jFiTuR0&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v14.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3Df21c27eb1483af0e%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330360012%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D1345703742EA417E9DF9B9D3E2270A7FAA0BE650.3A77F12E44BE500198058D6FBF2611F52428408A%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Df21c27eb1483af0e%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DRoEFYTx9sl5YyuIsbkY0jFiTuR0&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-8090739357302940130?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=f21c27eb1483af0e&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/8090739357302940130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=8090739357302940130' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/8090739357302940130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/8090739357302940130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2008/12/cinema-paradiso.html' title='Cinema Paradiso'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SUsboLgzURI/AAAAAAAAAHE/ufygPpYj_1M/s72-c/20070725154458Nuovo%2520cinema%2520paradiso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-540297460099999184</id><published>2008-11-29T19:06:00.000-08:00</published><updated>2008-11-30T03:24:15.529-08:00</updated><title type='text'>1968</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/STIGMUbVe2I/AAAAAAAAAG0/e9Oc_u9yF4I/s1600-h/sem+tÃ&amp;shy;tulo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274284922315832162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 224px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/STIGMUbVe2I/AAAAAAAAAG0/e9Oc_u9yF4I/s320/sem+t%C3%ADtulo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/STIFrYymm8I/AAAAAAAAAGs/R9j8XaAJfq8/s1600-h/fotodapassetados100milriodejaneiro1968.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Sob todas as dúvidas e questionamentos que permeiam o reingresso de um novo ano (que de tão novo e comemorado parece antigo), começo a pensar em um breve período verdadeiramente digno de ser aclamado e definido como inovador: 1968.&lt;br /&gt;Não é segredo que essa década faz ressoar em nossa memória angústia, silêncio e sombra, esta última das mais severas, como mistificaria Carrero. Isso porque o retrocesso, seja qual for a cor de sua roupagem, é sempre visto em preto e branco, com a agravante de conter em si todos os contornos e as lamentáveis lembranças da opressão e do medo. Acontece que, no mesmo período, não só o Brasil, mas todo o mundo vivenciava o seu “vazio fértil”. O preconceito racial, a intolerância religiosa, a tecnologia a serviço da miséria e da fome, o machismo, a arbitrariedade e a violência eram valores culturais globalizados e solidariamente partilhados entre todas as nações.&lt;br /&gt;Fundamental, entretanto, não é o terror fomentado através da força, mas a coragem para enfrentá-lo. Insurgir-se contra a clarividente imagem da onipotência, num momento inicial, pode parecer loucura, mas constituiu a única alternativa daqueles que ansiavam por uma “nova ordem mundial”. A questão é que a única ordem anunciada era a desordem proposital e reivindicativa. &lt;em&gt;&lt;strong&gt;É proibido proibir&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, essa seria a expressão-chave, a tradução de que a liberdade não se limitava a uma mera ramificação da utopia. &lt;em&gt;&lt;strong&gt;A imaginação no poder!&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, anunciavam estudantes parisienses, cujos protestos contaram com a profunda adesão da classe operária.&lt;br /&gt;Quatro décadas depois, exatamente no ano de 2008, deparamo-nos com a mesma problemática: o que esperamos da posteridade? Se nossos desejos, expectativas e ideologias estão expostos em vitrines de lojas como se fossem mercadorias negociáveis a preços irrisórios e cada vez mais flexíveis.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-540297460099999184?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/540297460099999184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=540297460099999184' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/540297460099999184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/540297460099999184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2008/11/1968.html' title='1968'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/STIGMUbVe2I/AAAAAAAAAG0/e9Oc_u9yF4I/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-4583421570590662629</id><published>2008-11-02T03:04:00.000-08:00</published><updated>2008-11-09T17:02:20.997-08:00</updated><title type='text'>"O maior destes é o amor"</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SQ2dYlLPfuI/AAAAAAAAAGU/tHlpCO2C79A/s1600-h/teresa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264036585087663842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 221px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SQ2dYlLPfuI/AAAAAAAAAGU/tHlpCO2C79A/s320/teresa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Gostaria de esquecer os bons costumes, a religiosidade e até mesmo o moralismo para falar simplesmente sobre o amor. Isso, entretanto, não é o bastante. Porque o amor que me interessa no momento é aquele que levanta a voz, que se impõe e que não conhece os maus agouros do egoísmo. O amor permeado pela amplitude: alcança não só os próprios afetos, mas tudo aquilo que lhe é estranho e incompreensível. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não se trata de um sentimento estéril, infértil ou senil, pois se expande através de uma multiplicidade de gêneros e de espaços. Esse amor conjuga a si mesmo e não admite intervenções, afinal, já conhece a sua essência e já aprendeu a ser completo. Poderia, para isso, citar uma infinidade de nomes, como o de Chico Xavier, de Betinho ou de Gandhi. Entretanto, escolhi aquela cujas palavras e a grandeza (apesar de estatura física tão discreta) demonstraram tanta força a ponto de desafiar os padrões mais egocêntricos da humanidade: Madre Teresa de Calcutá. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Religiosa macedônia, naturalizada indiana, Agnes Gonxha Bojaxhiu decidiu dedicar sua vida à vocação religiosa desde a infância. Esse ideal se faria constante durante toda a sua existência, que nem por isso deixou de ser permeada por contradições e silenciosos conflitos espirituais. Tal dificuldade para reafirmar a própria fé e união à Cristo tornou-se fator de discussão a partir da divulgação de cartas pessoais em que Teresa (nome que adotou ao ingressar no colégio das Irmãs de Calcutá) confidenciava suas dúvidas acerca da existência de Deus. Fragmentos como "Onde está minha fé, aqui no mais profundo não há nada, Meu Deus, que dolorosa é esta pena desconhecida. Não tenho fé." ou "Peço, me agarro, quero, e não há Ninguém para contestar - Ninguém a quem me apegar, não, Ninguém. Sozinha." demonstraram que estava acometida por um vazio espiritual aterrador e por dúvidas que colocavam à prova a profissão de fé que havia escolhido para definir o seu caminho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;Madre Teresa de Calcutá dedicou toda a sua vida ao próximo. Em nenhum instante ousou duvidar do amor que sentia pelas crianças, especialmente aquelas subjugadas pelo crivo da ambição e da ganância. Despertou mundialmente a consciência de que a ajuda mútua, a solidariedade e a doação de si mesmo são essenciais e indispensáveis à construção de uma realidade mais justa e igualitária. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;"Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor." &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-4583421570590662629?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/4583421570590662629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=4583421570590662629' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/4583421570590662629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/4583421570590662629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2008/11/o-maior-destes-o-amor.html' title='&quot;O maior destes é o amor&quot;'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SQ2dYlLPfuI/AAAAAAAAAGU/tHlpCO2C79A/s72-c/teresa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-8124558517240814194</id><published>2008-09-27T16:48:00.000-07:00</published><updated>2008-09-29T15:40:27.598-07:00</updated><title type='text'>Intérpretes da Alma</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SN7g58KBKLI/AAAAAAAAAFs/sRLQJvJ8kXw/s1600-h/du_grande_sertao2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250881501565888690" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SN7g58KBKLI/AAAAAAAAAFs/sRLQJvJ8kXw/s320/du_grande_sertao2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Alguns escritores iluminam a existência humana de tal forma que muitas vezes os imaginamos como intérpretes fascinantes de pensamentos e sensações. Descobrir um novo autor e os seus registros é como adentrar um mundo pronto para ser desvendado, esperando apenas o instante de nos ensinar o que os olhos enxergam, mas o coração não decifra. É como se houvesse um seleto grupo de leitores da alma, consagrados por critérios dignos de apreciação literária e imortalizados por tudo aquilo que "ultrapassa qualquer entendimento". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;Se a descoberta de algo novo nos proporciona um prazer tão imoderado, rever o que já conhecemos (e que nos faz bem) é como redescobrir a si mesmo. É revisitar tudo o que ficou guardado nos arquivos mais profundos da memória e que vez por outra fica pulsando e pedindo para ser lembrado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;A felicidade clandestina de Clarice, a pedra no meio do caminho de Drummond, a alma perfumada de Ana Jácomo, o eterno menino dentro de Quintana, as memórias de Graciliano Ramos, a denúncia e o grito de Guimarães Rosa, a força da mulher em Rachel de Queiróz e tantas outras ilustrações do que as letras brasileiras têm a oferecer não podem ser esquecidas, mas continuamente vivenciadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;E foi justamente em um instante de incredulidade que reencontrei Rubem Braga. Indiretamente, o escritor me disse que não ser ninguém não significa "ser nada". Segredou, da forma mais clara e mais objetiva que lhe foi possível, que para ser único não é preciso buscar reconhecimento através do outro. E fez isso por intermédio do texto que reescrevo abaixo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O padeiro&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento - mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a "greve do pão dormido". De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.&lt;br /&gt;Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. Enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é ninguém, é o padeiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interroguei-o uma vez: como tivera a idéia de gritar aquilo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Então você não é ninguém?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: "não é ninguém, não, senhora, é o padeiro". Assim ficara sabendo que não era ninguém...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina - e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como o pão saído do forno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; "não é ninguém, é o padeiro!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assobiava pelas escadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Rio, maio, 1956.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-8124558517240814194?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/8124558517240814194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=8124558517240814194' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/8124558517240814194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/8124558517240814194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2008/09/literatura-brasileira.html' title='Intérpretes da Alma'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SN7g58KBKLI/AAAAAAAAAFs/sRLQJvJ8kXw/s72-c/du_grande_sertao2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-423222120107854692</id><published>2008-09-14T09:00:00.000-07:00</published><updated>2008-09-21T14:38:12.189-07:00</updated><title type='text'>(I) Moralidade no Pleito Eleitoral</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SM04U0IpxyI/AAAAAAAAAFk/YWUZrcajxvQ/s1600-h/EleiÃ§Ãµes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5245911071199971106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SM04U0IpxyI/AAAAAAAAAFk/YWUZrcajxvQ/s320/Elei%C3%A7%C3%B5es.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Em época de campanhas acirradas para convencer os eleitores a votarem naqueles que serão os novos líderes municipais, deparamo-nos com uma decisão inusitada do Supremo Tribunal Federal: candidatos que forem condenados em alguma instância da justiça poderão continuar a ser eleitos pelo povo, exercendo o seu respectivo mandato tranqüilamente.&lt;br /&gt;O projeto de lei aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal objetivava, fundamentalmente, impedir que candidatos condenados judicialmente por corrupção (passiva ou ativa), crimes eleitorais, ou qualquer outra conduta imoral e incompatível com o exercício de cargos públicos, fossem eleitos. O argumento defendido pelos Ministros que votaram contra essas medidas moralizadoras foi basicamente a impossibilidade de se “estabelecer critérios de avaliação da vida pregressa de candidatos para o fim de definir situações de inelegibilidade”, como sustentou Eros Grau.&lt;br /&gt;O aspecto mais surpreendente e, simultaneamente, mais previsível dessa decisão é a verdadeira inclinação dos Ministros do Supremo Tribunal Federal a superproteger e a relativizar as incongruências mais graves que atingem o pleito eleitoral. Até mesmo funcionários de empresas privadas, caixas de supermercados e garis (considerada a importância de suas atividades) têm que apresentar Certificado de Antecedentes Criminais aos possíveis empregadores, sob pena de não conseguirem emprego ou vagas, se descoberta a chamada "ficha suja". Como é possível, portanto, que essa formalidade não seja concretamente essencial àqueles que vão decidir os rumos tomados por cada entidade da federação brasileira?&lt;br /&gt;É evidente que algumas injustiças poderiam ser cometidas através da aprovação da lei supracitada. Candidatos condenados injustamente por magistrados inescrupulosos, mesmo impetrando recurso em instâncias superiores, seriam impedidos de iniciarem e darem continuidade a uma carreira política promissora. Entretanto, essas exceções não se sobrepõem à regra nem podem ser invocadas como entrave à preservação da ética e da moralidade no âmbito da Justiça Eleitoral. Quem perde com isso é a sociedade, submetida às falsas imagens construídas por indivíduos que superfaturam e lesam as obras e os cofres públicos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-423222120107854692?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/423222120107854692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=423222120107854692' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/423222120107854692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/423222120107854692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2008/09/i-moralidade-no-pleito-eleitoral.html' title='(I) Moralidade no Pleito Eleitoral'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SM04U0IpxyI/AAAAAAAAAFk/YWUZrcajxvQ/s72-c/Elei%C3%A7%C3%B5es.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-12182070630849834</id><published>2008-08-25T12:38:00.000-07:00</published><updated>2010-06-13T08:22:38.756-07:00</updated><title type='text'>Geni e Maupassant</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SLMP-qrbWCI/AAAAAAAAAEA/lpVGbI1wZwc/s1600-h/mulher.JPG"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; DISPLAY: block; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238548360844761122" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SLMP-qrbWCI/AAAAAAAAAEA/lpVGbI1wZwc/s320/mulher.JPG" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SLMOgG2S-dI/AAAAAAAAAD4/lGPZ5_Tfrd0/s1600-h/mulher.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;O conto tem início com um relato fiel acerca das conseqüências da invasão prussiana na Normandia e do cansaço estampado na face de um povo humilhado e embrutecido pela guerra. Trata-se de um verdadeiro documento histórico redigido pelo escritor francês Guy de Maupassant, que não poupa críticas ao cinismo e à hipocrisia que conduziam o comportamento da sociedade francesa, em meados do século XIX.&lt;br /&gt;As vibrações emitidas pelo exército inimigo, cujo domínio já podia ser aferido pela população das pequenas cidades, foram descritas por Maupassant como “grandes convulsões destrutoras da terra, contra as quais toda sabedoria e toda força são inúteis”. O poder da brutalidade e das armas mais uma vez se impunha, a despeito da soberania e da independência das nações. Os habitantes das províncias deveriam demonstrar hospitalidade e cortesia para com os destacamentos que se alojavam em suas casas.&lt;br /&gt;Aos poucos, a convivência com os prussianos se tornou pacífica e até mesmo amigável. As relações hostis se converteram em conversas noturnas aquecidas pelas lareiras e pelas regras de polidez que cada cidadão, comandante ou sentinela procurava seguir com decoro. Sentindo-se seguros quanto à sua influência, comerciantes locais solicitaram autorização para saírem da cidade, a pretexto de realizarem negócios e seguirem com o curso normal de suas atividades.&lt;br /&gt;Concedida a autorização, um grupo composto por dez pessoas inicia uma viagem rumo a interesses diversos, enquanto o autor percorre com ironia o caminho das mordazes e superficiais relações humanas. Os burgueses, acreditando que só havia pessoas de classes sociais superiores (ao menos em sua reputação moral) ocupando a diligência, surpreendem-se com um fato inesperado: havia uma prostituta entre eles. Apelidada "Bola de Sebo" (Boule de Suif), a mulher possuía muitos atributos que a tornavam desejável, além de uma personalidade generosa e amável. É evidente que as senhoras presentes no comboio logo sentiram verdadeira inclinação ao asco, repelindo Bola de Sebo e reafirmando a sua condição de esposas dignas e honradas.&lt;br /&gt;Todos começavam a reclamar pela falta de alimentos, quando Bola de Sebo retirou de sua banqueta um recipiente farto de provisões. Compartilhou com os “amigos” a sua refeição, entre eles duas freiras que não ousavam nem mesmo encará-la, e sentiu que poderia parecer um ultraje oferecer aos mais ricos uma refeição tão simples.&lt;br /&gt;No caminho, são impedidos de seguir por um oficial das forças inimigas, vendo-se obrigados à permanência provisória em um albergue próximo, junto a outros soldados. Após a breve estadia (e o assédio sofrido por Bola de Sebo), um oficial prussiano impõe uma condição para que todos possam ir embora: “aquela formosa dama” deveria servi-lo. Ela, como patriota, se nega terminantemente a dormir com um homem que havia dominado e reduzido a sua pátria a fiascos. Seus companheiros de viagem ficam atordoados com a negativa, afinal, não pretendiam envelhecer ali. Se ela já havia prestado seus serviços a um cocheiro da prefeitura, por que todo aquele drama em relação ao oficial prussiano? Na verdade, aqueles grandes membros da burguesia podiam entender tudo sobre transações financeiras, mas eram por demais ignorantes ao tratarem de ideais.&lt;br /&gt;Vencida pelos obstinados argumentos dos seus compatriotas, Bola de Sebo se rende com muito nojo às investidas do inimigo. No dia seguinte, encontra todos eles prontos para a partida e, ao tentar cumprimentá-los, recebe o silêncio como resposta. Prosseguida a viagem, todos comem e conversam animadamente, ignorando por completo a presença da meretriz e até mesmo as suas lágrimas, consideradas por uma das senhoras como a expressão de sua vergonha.&lt;br /&gt;Chico Buarque, grande intérprete e compositor brasileiro, fez uma espécie de intertexto com o conto ao compor a música “Geni e o Zepelim”. O gênio brasileiro e o gênio francês possuem algo em comum: souberam retratar com maestria as grandes questões sociais de sua época. Demonstraram que o artista (da palavra ou da canção) não precisa duelar com a realidade, e sim, utilizá-la como instrumento para a construção de uma literatura e musicalidade atuantes, capazes de transcender preconceitos e estigmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*** Nota da edição Conard (Paris) das obras completas de Guy de Maupassant: “Bola de Sebo realmente existiu e chamava-se, por seu verdadeiro nome, Adrienne Legay”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-12182070630849834?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/12182070630849834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=12182070630849834' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/12182070630849834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/12182070630849834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2008/08/geni-e-maupassant.html' title='Geni e Maupassant'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SLMP-qrbWCI/AAAAAAAAAEA/lpVGbI1wZwc/s72-c/mulher.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-4568903358685988847</id><published>2008-07-30T17:39:00.000-07:00</published><updated>2008-07-30T18:12:12.269-07:00</updated><title type='text'>"Quando eu me encontrar..."</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SJEQQOi9TuI/AAAAAAAAADw/2HQ2wlAsiwo/s1600-h/central%20do%20brasil.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5228978513322528482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SJEQQOi9TuI/AAAAAAAAADw/2HQ2wlAsiwo/s320/central%2520do%2520brasil.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SJEPp0L_oWI/AAAAAAAAADo/4fYACMkkcNo/s1600-h/brazil_central_station_1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;O cinema brasileiro, durante vários anos, obteve um ínfimo grau de expressividade e de reconhecimento nacional. Felizmente, essa situação foi revertida à medida que grandes diretores passaram a investir em produções inovadoras, dotadas de sensibilidade, criatividade e identidade cultural, abandonando as frustradas tentativas de importar os moldes estrangeiros delineadores da arte.&lt;br /&gt;“Central do Brasil”, do diretor Walter &lt;/span&gt;&lt;a name="Salles"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Salles&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;, corresponde a um dos filmes nacionais mais bem sucedidos e aclamados pela crítica, não apenas pelo sucesso de público e bilheteria, mas pelos instantes de emoção e redescobertas que proporciona. Salles conseguiu desenvolver cada personagem com maestria, apresentando-os com naturalidade, honestidade e até mesmo irreverência.&lt;br /&gt;Nos anos seguintes à década de 70, várias cidades brasileiras atravessaram um período caótico de miséria, desemprego, baixos salários e completa falta de esperança no futuro. Em decorrência disso, significativa parcela da população passou a migrar para os grandes centros industriais, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro. É justamente sob esse prisma que o filme tem início: uma grande leva de trabalhadores desembarcando na estação ferroviária Central do Brasil, localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;Entre toda essa movimentação diária, Dora, uma professora aposentada marcada pelo cinismo e pelas mágoas que nutriu durante toda a sua vida, escreve cartas a pedido de pessoas não alfabetizadas, que desejam se comunicar com familiares e amigos distantes. Demonstrando total incredulidade em relação aos sentimentos e intenções humanas, ela se nega a enviar as correspondências que ficaram sob sua responsabilidade e, em função disso, choca-se constantemente com sua única e melhor amiga Irene (otimista e sensível).&lt;br /&gt;O ponto crucial do filme ocorre quando duas vidas diametralmente opostas se cruzam: a de Dora e a de Josué. Ele, porque perdeu a mãe em um lamentável acidente; ela, porque, diante de uma crise de consciência, decidiu cuidar do menino e levá-lo para conhecer o pai. A partir daí, começa uma viagem ao interior do país e ao coração de cada um desses dois personagens, que acabam por descobrir possibilidades e caminhos que ignoravam.&lt;br /&gt;Os benefícios da coragem, do amor, da aceitação e da preocupação e valorização do próximo são freqüentemente evidenciados no enredo do filme. Coragem para mudarmos aquilo que nos incomoda e que nos prende a um mundo medíocre de dor e sofrimento. Amor para enxergamos além dos nossos próprios interesses. Aceitação para que aprendamos a arte de conviver juntos, a despeito de todas as dificuldades, de maneira completa e sem egoísmo. E valorização do próximo para que reconheçamos que, ao contrário do que afirmou Sartre, “o paraíso são os outros”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-4568903358685988847?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/4568903358685988847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=4568903358685988847' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/4568903358685988847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/4568903358685988847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2008/07/central-do-brasil.html' title='&quot;Quando eu me encontrar...&quot;'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SJEQQOi9TuI/AAAAAAAAADw/2HQ2wlAsiwo/s72-c/central%2520do%2520brasil.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-4817725392731270530</id><published>2008-07-26T18:56:00.000-07:00</published><updated>2008-07-26T19:36:09.988-07:00</updated><title type='text'>Semeando arte e fé</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SIvaR0AO7lI/AAAAAAAAADI/QnRkdoY54Os/s1600-h/P1000923.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5227511792045846098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 372px; CURSOR: hand; HEIGHT: 281px; TEXT-ALIGN: center" height="242" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SIvaR0AO7lI/AAAAAAAAADI/QnRkdoY54Os/s320/P1000923.JPG" width="366" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Manifestação popular de fé e devoção, os Tapetes de &lt;em&gt;Corpus Christi&lt;/em&gt;, feitos com pó de serragem colorida, pedras moldadas, areia e acessórios diversos, constituem uma tradição perpetuada em todo o país, inclusive no estado de Pernambuco.&lt;br /&gt;Herança portuguesa de manifestação cultural, adquiriu contornos e características próprias ao longo do tempo, sofrendo influências do Barroco Brasileiro, mais importante movimento artístico do período colonial. O que mais impressiona no trabalho despendido pelos fiéis é o fato de que, concluídas todas as montagens e adornos, uma procissão impassível atravessa a beleza do tapete improvisado, descaracterizando-o por completo.&lt;br /&gt;Excetuando-se a propaganda feita por estabelecimentos comerciais em plena ornamentação religiosa, essa forma de expressão artística é dotada de sensibilidade, empenho e esperança, que se exteriorizam em trabalhos muito verdadeiros e originais.&lt;br /&gt;Na verdade, o que há de mais significativo nos costumes e tradições de uma nação é a força de suas manifestações, sejam elas religiosas, artísticas, musicais, ou até mesmo profanas. Elas mostram que o povo, aquele que brota da terra, como profetizou Zola, não adormeceu diante do marasmo erguido pelo universo das aparências. Continua, sim, afirmando continuamente o seu lugar e os seus caminhos, desafiando os corruptos, poderosos e complacentes a assistirem de perto toda a leveza, a criatividade e a alegria dos seus contornos culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Foto: Miriam Albuquerque&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-4817725392731270530?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/4817725392731270530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=4817725392731270530' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/4817725392731270530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/4817725392731270530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2008/07/semeando-arte-e-f.html' title='Semeando arte e fé'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SIvaR0AO7lI/AAAAAAAAADI/QnRkdoY54Os/s72-c/P1000923.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-5310557097630813328</id><published>2008-07-25T11:09:00.000-07:00</published><updated>2008-07-25T11:21:30.123-07:00</updated><title type='text'>Boa Noite e Boa Sorte</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SIoYgL_CnvI/AAAAAAAAADA/MFcGYGhclmQ/s1600-h/murrow.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5227017258768965362" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SIoYgL_CnvI/AAAAAAAAADA/MFcGYGhclmQ/s320/murrow.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Não se pode negar a importância do cinema na discussão e na abordagem de temas controversos, por vezes relegados a segundo plano em decorrência de interesses considerados politicamente corretos. Utilizando recursos que vão além das mesmices e das parafernálias concebidas pelas produções hollywoodianas, George Clooney contornou a imagem simplória de galã e astro exibido em folhetos para revelar a sua promissora carreira de diretor e roteirista. Prova disso é o conteúdo crítico e desafiador do seu novo longa-metragem: o filme “Boa noite e boa sorte”.&lt;br /&gt;O que pretendo destacar, entretanto, não é o desempenho nem a inteligência do diretor, mas o engajamento e a força do seu mais recente trabalho, que conta com um elenco excelente, distante dos ritos e superficialidades que erguem os famosos mitos do estrelato. Iniciado com breves, porém legítimas, palavras do jornalista norte-americano &lt;strong&gt;Egbert&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Roscoe&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Murrow&lt;/strong&gt; (foto acima), o filme traça um panorama atemporal da alienação, decadência e parcialidade das emissoras de televisão e das estações de rádio ao transmitirem notícias aos cidadãos.&lt;br /&gt;Considerado por grande parte dos historiadores como um verdadeiro ícone do jornalismo mundial, Edward Murrow (como era conhecido) destacava-se por sua integridade e imparcialidade na divulgação de informações, desafiando os interesses dos grandes patrocinadores comerciais e até mesmo dos seus superiores. Criticava severamente, como é relatado no longa, a inclinação dos telespectadores a ignorar notícias desagradáveis e perturbadoras, além do caráter essencialmente comercial, lucrativo e alienante das transmissões.&lt;br /&gt;Na década de 50, Murrow entrou em conflito aberto com o senador-junior do Wisconsin, Joseph McCarthy, destruindo completamente a sua carreira política através de cinco únicos capítulos do seu programa. McCarthy havia empreendido uma verdadeira “caça às bruxas”, na tentativa de levar à prisão (sem qualquer prova ou devido processo legal) todos aqueles a quem considerava comunistas e, por conseguinte, subversivos. Num período histórico de notável tensão decorrente da Guerra Fria, o senador ousou explorar todos os medos e fantasmas que perseguiam seus compatriotas, realçando suas fragilidades e prejudicando inocentes.&lt;br /&gt;Murrow firmou seu compromisso com a verdade através da defesa incondicional das garantias e liberdades individuais, demonstrando que é possível ser um jornalista engajado, íntegro e honesto mesmo diante de poderes que apenas lesam, destroem e inviabilizam a consciência crítica do telespectador. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-5310557097630813328?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/5310557097630813328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=5310557097630813328' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/5310557097630813328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/5310557097630813328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2008/07/boa-noite-e-boa-sorte.html' title='Boa Noite e Boa Sorte'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SIoYgL_CnvI/AAAAAAAAADA/MFcGYGhclmQ/s72-c/murrow.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-3049085817533838311</id><published>2008-07-18T09:21:00.000-07:00</published><updated>2008-07-24T14:10:14.429-07:00</updated><title type='text'>Entrevista: Clarice Lispector (1ª Parte)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SIDHPY3vg3I/AAAAAAAAAC4/71DVcMeJjZM/s1600-h/01b.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224394634937992050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 209px; CURSOR: hand; HEIGHT: 165px; TEXT-ALIGN: center" height="156" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SIDHPY3vg3I/AAAAAAAAAC4/71DVcMeJjZM/s320/01b.jpg" width="206" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#3333ff;"&gt;Clarice Lispector nasceu em Tchechelnik, na Ucrânia. Há dúvidas sobre as influências literárias que sofreu, sobre os limites de sua vaidade, sobre a sua personalidade hermética e sobre a sua “timidez ousada”. Entretanto, o que se pode afirmar com precisão é que foi e continua sendo uma escritora incomparável, com registros, livros, crônicas, contos e poemas marcantes, frutos de sua genialidade e de sua capacidade de enxergar o mundo e as pessoas exatamente como são, sem adornos ou misticismo.&lt;br /&gt;Em 1977, poucos dias antes de sua morte, concedeu uma entrevista improvisada ao jornalista brasileiro Júlio Lerner (falecido em 30 de junho de 2007). Os vídeos referentes à entrevista estão disponíveis na internet, mas decidi postar aqui alguns trechos transcritos.&lt;br /&gt;Introduzo a conversa entre os dois com um pensamento do próprio Júlio Lerner: “Não sabes, Clarice... Te conheci agora porém te conheço há muito tempo... Te amo, te respeito e no entanto agora começo a te invadir. A fornalha arde, meu coração dispara, minha boca está seca e debaixo destes tirânicos mil sóis sou o maior dos tiranos. Começa a entrevista.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Júlio&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lerner&lt;/strong&gt;: Em diversas entrevistas que você tem concedido, surge, quase que necessariamente, a pergunta: “Como você começou? Quando?”.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clarice&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lispector&lt;/strong&gt;: Antes dos sete anos, eu já fabulava, já inventava histórias. Por exemplo, eu inventei uma história que não acabava nunca. Mas é muito complicado pra explicar essa história. Quando eu comecei a ler e a escrever, eu comecei a escrever pequenas histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Júlio&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lerner&lt;/strong&gt;: Quando a jovem, praticamente adolescente, Clarice Lispector descobre que é realmente a literatura aquele campo de criação humana que mais a atrai, a jovem Clarice tem algum objetivo específico ou apenas escrever sem determinar o tipo de campo?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clarice&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lispector&lt;/strong&gt;: Apenas escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Júlio&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lerner&lt;/strong&gt;: Você podia nos dar uma idéia do que era a produção da adolescente Clarice Lispector?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clarice&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lispector&lt;/strong&gt;: Caótica, intensa e claramente fora da realidade da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Júlio&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lerner&lt;/strong&gt;: Desse período, você lembra o nome de alguma produção?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clarice&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lispector&lt;/strong&gt;: Eu escrevi várias coisas antes de publicar o meu primeiro livro. Já escrevia pra revistas, contos, jornais... Eu ia com uma timidez enorme, mas uma timidez de ousada. Eu era tímida e ousada ao mesmo tempo. Chegava lá na revista e dizia: “Eu tenho um conto, você não quer publicar?”. Lembro que uma vez Raimundo Magalhães olhou, leu pedaços pra mim e disse: “Você copiou isso de quem?”. Eu respondi: “Ninguém, é meu.”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Júlio&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lerner&lt;/strong&gt;: Clarice, a partir de qual momento você decide assumir a carreira de escritora?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clarice&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lispector&lt;/strong&gt;: Eu nunca assumi. Eu não sou uma profissional, só escrevo quando quero. Eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser uma amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então com o outro, em relação ao outro. Agora eu faço questão de não ser uma profissional, pra manter minha liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Júlio&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lerner&lt;/strong&gt;: A sua produção ocorre com freqüência ou você tem períodos de produzir intensamente?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clarice&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lispector&lt;/strong&gt;: Tem períodos de produzir intensamente e tem períodos hiatos, em que a vida fica intolerável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Júlio&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lerner&lt;/strong&gt;: Esses hiatos são longos ou não?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clarice&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lispector&lt;/strong&gt;: Depende. Podem ser longos, e eu vegeto nesse período, ou então eu, pra me salvar, me lanço logo numa outra coisa. Por exemplo, eu acabei a novela, estou meio oca, então estou fazendo histórias para crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Júlio&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lerner&lt;/strong&gt;: Como você explica Clarice Lispector voltar para a literatura infantil?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clarice&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lispector&lt;/strong&gt;: Isso começou com o meu filho, quando ele tinha seis ou cinco anos de idade, me ordenando para que eu escrevesse uma história pra ele. Eu escrevi. Depois guardei e nunca mais liguei. Até que me pediram um livro infantil e eu disse que não tinha, inteiramente esquecida daquilo. Era tão pouco “literatura” pra mim, que não queria usar isso pra publicar. Era pra o meu filho, mas aí lembrei: “Bom, tenho sim”. E está tudo publicado. Eu tenho três livros de literatura infantil e estou fazendo o quarto agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Júlio&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lerner&lt;/strong&gt;: É mais difícil você se comunicar com o adulto ou com a criança?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clarice&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lispector&lt;/strong&gt;: Quando eu me comunico com a criança, é fácil, porque eu sou muito maternal. Quando eu me comunico com o adulto, na verdade eu estou me comunicando com o mais secreto de mim mesmo. Aí é difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Júlio&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lerner&lt;/strong&gt;: O adulto é sempre solitário?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clarice&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lispector&lt;/strong&gt;: O adulto é triste e solitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Júlio&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lerner&lt;/strong&gt;: E a criança?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clarice&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lispector&lt;/strong&gt;: A criança é fantasia, solta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Júlio&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lerner&lt;/strong&gt;: A partir de que momento, de acordo com a escritora, o ser humano vai se transformando em triste e solitário?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clarice&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Lispector&lt;/strong&gt;: Ah, isso é segredo. Desculpe, eu não vou responder (pequena pausa).&lt;br /&gt;A qualquer momento da vida, basta um choque um pouco inesperado e isso acontece. Mas eu não sou solitária, eu tenho muitos amigos. E só estou triste hoje porque estou cansada. De um modo geral, eu sou alegre.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-3049085817533838311?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/3049085817533838311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=3049085817533838311' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/3049085817533838311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/3049085817533838311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2008/07/entrevista-clarice-lispector-1-parte.html' title='Entrevista: Clarice Lispector (1ª Parte)'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SIDHPY3vg3I/AAAAAAAAAC4/71DVcMeJjZM/s72-c/01b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1428679696980138972.post-601777529320948407</id><published>2008-07-16T09:46:00.000-07:00</published><updated>2008-07-18T07:26:05.130-07:00</updated><title type='text'>"Por você, faria isso mil vezes!"</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SH4n_kdkE2I/AAAAAAAAACA/MzQxRGQX-JA/s1600-h/cinema_o_cacador_de_pipas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223656590869271394" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SH4n_kdkE2I/AAAAAAAAACA/MzQxRGQX-JA/s320/cinema_o_cacador_de_pipas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O recente filme produzido por Marc Foster, baseado no livro “O Caçador de Pipas”, do romancista e médico afegão Khaled Hosseini, levantou discussões acerca das inevitáveis contradições e possíveis incoerências entre o fato narrado por meio da linguagem escrita e a sua respectiva representação audiovisual.&lt;br /&gt;O romance, que já chegou a ser incluído no rol dos &lt;em&gt;“livros superficiais que circulam por Washington sobre terrorismo e liberalismo”&lt;/em&gt;, surpreende pela delicadeza, simplicidade e honestidade com a qual foi escrito. Não importa se o autor escolheu um frágil momento da sociedade afegã para desenvolver a história, e sim, a procedência das informações inseridas no texto, que, apesar de fictício, contém elementos inquestionavelmente verídicos. O fato de ser um estadunidense naturalizado não desqualifica Hosseini para narrar os sofrimentos e as privações do seu povo enquanto se encontrava sob o jugo do regime Talibã. Não há que se falar em ficção, por exemplo, quando o autor descreve a apatia dos jogadores afegãos de futebol, que, além de obrigados a vestir calças e blusas de manga comprida durante os jogos, não podiam esperar dos torcedores nada além de um “Allah Akbar!” (Deus é o maior) nos momentos de vibração contida. Sem esquecer, é claro, dos fuzilamentos ocorridos durante o show de intervalo.&lt;br /&gt;Algo que o filme, assim como o livro, deixou bastante claro foi que não houve qualquer melhoria na qualidade de vida dos imigrantes afegãos ao se estabelecerem nos Estados Unidos da América. Ao invés disso, muitos passaram a sobreviver sob a égide do indispensável, ou seja, das condições básicas de subsistência. O pai de Amir, que em Cabul adquirira prosperidade, riqueza e prestígio, foi reduzido à condição de comerciante ao ingressar no “país da liberdade”.&lt;br /&gt;Apesar de apresentar muitos méritos, o filme não conseguiu expressar toda a carga emotiva e a intensidade das sensações humanas transmitidas pelo romance. O Amir das telas passou longe de demonstrar todo o mal estar e o remorso causados pela sua omissão diante de uma injustiça cometida contra seu grande amigo Hassan (na verdade, seu irmão). Esse seria o motivo fundamental para que decidisse enfrentar um regime arbitrário e violento como o Talibã: “ser bom de novo”, incondicionalmente.&lt;br /&gt;Finalmente, seria ótimo se o filme mostrasse que Sohrab, filho de Hassan, inicialmente depositou sua confiança nas palavras e no afeto de Amir, perdendo-a apenas quando este precisou deixá-lo em um orfanato de Islamabad, enquanto conseguia um visto de entrada para o menino, nos Estados Unidos. Ao descobrir que restaria sozinho outra vez, Sohrab tentou o suicídio, cortando os pulsos e ficando gravemente ferido. Essa com certeza foi uma das partes mais marcantes e emocionantes do livro.&lt;br /&gt;Não é recente a prática de transformar literatura em cinema, livros clássicos em filmes emocionantes. Triste Fim de Policarpo Quaresma, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Anna Karenina, Os Irmãos Karamazovi, todos já figuraram nas telas do cinema, com interpretações inesquecíveis e enredos fascinantes. É imprescindível, no entanto, que o diretor preserve a essência literária, muito mais completa e complexa do que qualquer representação audiovisual.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1428679696980138972-601777529320948407?l=ozeroeoinfinito.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/feeds/601777529320948407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1428679696980138972&amp;postID=601777529320948407' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/601777529320948407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1428679696980138972/posts/default/601777529320948407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ozeroeoinfinito.blogspot.com/2008/07/por-voc-faria-isso-mil-vezes.html' title='&quot;Por você, faria isso mil vezes!&quot;'/><author><name>Juliana Moura</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18000810263084909085</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://3.bp.blogspot.com/-LjfAO1wJsAs/TpJKVNLGSMI/AAAAAAAAAjM/PXTFv673cxw/s220/IMG1085-01%2B-%2BC%25C3%25B3pia.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lwAgEC0mDXM/SH4n_kdkE2I/AAAAAAAAACA/MzQxRGQX-JA/s72-c/cinema_o_cacador_de_pipas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry></feed>
